A Contribuição dos Fósseis para a Ciência

     Fósseis são, para muitas áreas da ciência, o único tipo de evidência direta, fazendo com que a descoberta de um novo fóssil ou de um novo sítio arqueológico possa tanto comprovar hipóteses e teorias já existentes, quanto servir de evidência para refutar correntes de pensamento. Dependendo do nível de detalhamento do fóssil e das condições em que ele foi formado, pode se obter informações valiosas não apenas sobre a espécime, mas também sobre o seu lugar em uma análise filogenética.

Registros fósseis também tem um papel crucial em determinar a idade mínima para determinada amostra, o que pode ser muito útil por si só, mas pode ter um papel determinante como evidência contra ou a favor de uma hipótese. Por mais que evidências indiretas embasem a hipótese de a vida ter surgido há cerca de 3.7 bilhões de anos, não foi até micro fósseis serem encontrados nos depósitos basálticos australianos que essa hipótese realmente ganhou peso, e isso é devido ao fato dos microrganismos encontrados datarem de cerca de 3.4 bilhões de anos, o que indica que o surgimento da vida é anterior a essa data.


Fósseis vegetais

O entendimento da origem de plantas modernas seria muito limitado se não fosse pelo estudo da paleobotânica.

Por mais que o tipo mais abundante de fitofóssil seja madeira fossilizada, devido ao fato de possuir poucas fontes de informação sobre a planta enquanto estava viva, é uma área de pesquisa relativamente pequena em relação a quantidade de material disponível

Partes de folhas, flores, frutos e sementes constituem uma porção pequena do total de fósseis devido à dificuldade do processo de fossilização, ocorrendo apenas em condições bastante específicas, como em ambientes com baixa presença de oxigênio. E mesmo em ambientes anaeróbicos, devido a fragilidade de espécimes como folhas e especialmente flores, é raro encontrar fósseis que estejam inteiros e em boas condições.

Polem fossilizado, no entanto, existe em abundância e em boas condições, o que permite que um estudo detalhado seja feito. Esse tipo de amostra é extremamente útil para reconstruir e modelar climas passados, e isso se dá pelos seguintes motivos: O acúmulo de polem em uma determinada região indica o tipo de desenvolvimento vegetal que esteve presente naquela área, devido ao fato de polem se acumular de forma quase constante e previsível, variações na taxa de deposição podem indicar mudanças no ecossistema local, tanto no curto quanto no longo prazo.

Em casos raros pode se encontrar material genéticos em registros fósseis, porém devido ao fato de DNA ser extremamente sensível, é raríssimo encontrar material genético minimamente preservado em material fossilizado. Mesmo com avanços recentes em técnicas de sequenciamento genético, a fragilidade da molécula de DNA ainda constitui um grande empecilho para essa área de pesquisa.

Figura 1: Fóssil de um musgo

          

Fonte: https://www.sciencephoto.com/media/1063306/view/mushroom-crinoid-fossil


Fósseis animais

Fósseis de origem animal nos dão uma grande oportunidade de estudar os diferentes resultados da seleção natural em uma mesma espécie ou em um mesmo ancestral comum, permitindo que possamos obter evidências de fenômenos como a evolução convergente de animais atuais, o desenvolvimento de estruturas análogas, que também nos fornece informações sobre os ambientes de diferentes organismos e suas similaridades (por exemplo: diversos animais marinhos como peixes, golfinhos, tubarões e até mesmo alguns tipos lesmas marinhas possuem um corpo muito similar, isso nos mostra que a pressão ambiental desses ecossistemas favorece um conjunto muito especifico de atributos). O estudo de fósseis também nos fornece informações e evidencias sobre o fenômeno oposto: evolução divergente, o estudo desses espécimes pode nos fornecer importantes informações mudanças nos ambientes de determinados organismos e as diferentes pressões ambientais que passaram a existir.7

A partir dos estudos de diferentes registros fósseis, podemos obter insight sobre outro fenômeno fascinante: a formação de órgãos vestigiais. Com a evolução de determinada espécie é possível observar que determinadas estruturas foram se tornando cada vez mais importantes para a sobrevivência e outras passaram a ter um papel cada vez mais reduzido, e em casos extremos desse fenômeno são observadas estruturas que não possuem mais nenhum papel na fisiologia atual do organismo, como o apêndice humano e ossos vestigiais em baleias e cobras que indicavam onde ficavam os membros que com o tempo foram perdidos.


Figura 2: Fóssil de Trilobita


Fonte:https://www.sciencephoto.com/media/1039214/view/conocoryphe-sulzeri-sulzeri-cambrian-trilobite-fossil

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Referências Bibliográficas

Fósseis e a Paleontologia